April 2012
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Pedaços da memória
CARLOS HEITOR CONY
Pedaços da memória
Quando alguém me provocava ou me aborrecia, eu reagia e ameaçava: “Vou contar para o meu pai!”
NOS ANOS mais antigos do passado, tempo de minha infância, não havia Dia dos Pais. A data só seria festejada mais tarde, para corresponder ao Dia das Mães, que sempre existiu de uma forma ou de outra. Não havia um Dia dos Pais, mas todos os dias...
Uma nova classe social, sem classe.
Tudo bem, eu até entendo sua necessidade exagerada de exibição. Você mudou. Subiu. As coisas melhoraram. Agora você pertence a uma nova classe social, sem classe.
Por exemplo: se na situação atual você tem condições de tomar vinho, ótimo! Mas vinho na praça de alimentação é uma desnecessidade. Quem pode tomar vinho no almoço de quarta-feira, pode almoçar em um restaurante bacana. Ou pelo menos...
Sem fricote.
Pessoas com vidas interessantes não têm fricote. Elas trocam de cidade. Sentem-se em casa em qualquer lugar. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam...
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Abril, maio, junho
Abril, maio, junho
Abril? Maio? Junho? Nada começa ou finda aqui. Pelo que se anseia nesta planície? Qual clímax se vislumbra?
ABRIL, LOGO mais é maio, depois junho -e essa banal constatação me deixa um pouco desanimado. A passos largos, nos afastamos dos confetes de fevereiro, ainda não se veem no horizonte os rojões de dezembro, é como se estivéssemos presos numa longa terça-feira,...
I'd run to you →